Alquimia eTecnologia Química no século XVI

Avanços científicos em astronomia, medicina, cartografia, navegação (a
construção de bússolas e de navios com vela de desenho diferentes) , e de outros
setores, conjugaram-se para tornar o século XVI um século de renovações.
Sob o impacto dos descobrimentos de novas terras, como a America e o Brasil,
fatos decorrentes dos avanços em cartografia, navegação e construção de navios,
as fronteiras conceituais e culturais da Europa se ampliaram.
Na Astronomia temos a nova teoria de Copérnico (1473-1543) que superou o sistema
Ptolomaico.
Em medicina, Versalio (1514-1564), com novos avanços em anatomia
Paracelso (1493-1541) revelou o valor da Alquimia experimental na preparação de
remédios e elixires.
A prática da tecnologia química,com suas aplicações às necessidades da vida da
sociedade, intensificou-se consideravelmente.
As teorias Aristotélicas fundamentais para a Alquimia, no entanto, continuavam
sendo aceitas e, neste século, nada de novo surgiu na parte conceitual.
A ênfase foi na parte de equipamentos de laboratório, métodos preparativos e
descoberta de novos reagentes.
A disponibilidade de livros impressos permitiu grande divulgação dos textos
alquímicos clássicos.
Uma consequência foi o engajamento de um número maior de estudiosos muitos dos
quais passaram a cultivar a parte mística e alegórica da arte alquímica.
Livros de natureza prática, como o Liber de arte distillandi de simplicibus ou
Livreto da arte de destilação de Hieronymus Brunschwygk, publicado em 1500 e
outro, o Tratado de Destilação, em edição melhorada de 1512, passaram a ter
grande interesse.
Estas e muitas outras publicações, sôbre o mesmo tema, indicam uma preocupação
especial com as técnicas de destilação.
Esta tinha como finalidade "extrair" a essência dos objetos principalmente a das
plantas para uso na preparação de remédios e elixires.
A prática da Alquimia, com seus processos de laboratório, atraiu um grande
número de médicos, metalurgistas e farmacêuticos.
Passou a influenciar a medicina, o estudo dos minerais e dos metais e nas artes
de guerras levou ao desenvolvimento da pirotecnia.
Passou também a influenciar outros setores do conhecimento principalmente
aqueles de utilidade prática.
Os livros anônimos Nützliches Bergbüchlein ou Manual Utilitário de Minas e o
Probierbüchlein ou Manual de Testes, sôbre processos metalurgicos e análise de
minerais, respectivamente, são dois textos que se tornaram populares a partir de
1510 e tiveram várias edições melhoradas publicadas.
No Manual de Testes os testes descritos são quantitativos com o uso de balança e
pêsos.
Outros livros com aplicações em metalurgia, deste século, são o De la
pirotechnia ou Sôbre a pirotecnia, de Vannuccio Biringuccio, de 1540, o famoso
De re metallica ou Sôbre os metais, de Agricola (ou Georg Bauer), de 1556, e um
Tratado sôbre minerais e sua avaliação, de Lazarus Ercker, de 1574.
Nestes livros há descrições detalhadas, de processos químicos que utilizam
vários sais e ácidos, principalmente no livro de Agricola, que é minuncioso
neste particular.
Nestes livros práticos de metalurgia aparecem descrições de metais incluindo,
pela primeira vez, alguns como o bismuto, o cobalto e o zinco.
Um aspecto extremamente importante da tecnologia química, neste século, foi a
busca de expressão quantitativa de seus processos.
Procurava-se dar uma descrição clara dos procedimentos usados de tal forma que o
leitor pudesse usá-los com sucesso.
Em 1575 é publicada a primeira tradução completa da Pneumatica, de Hero,
helenista que estudou os gases e que, como o filósofo Demócrito, procurava
explicar a constituição do universo por meio de partículas.
Uma maneira de considerar a Alquimia de forma diferente e inovadora surgiu com
Paracelso (Philippus Theophrastus Bombastus von Hohenheim, 1493-1541), um médico
e alquimista que exerceu grande influência nos séculos seguintes.
Paracelso, de grande espírito crítico e combativo, rejeitava as idéias clássicas
em medicina e estabeleceu o uso da quimica e seus procedimentos na preparação de
remédios e princípios ativos.
Apesar de considerar os conceitos herméticos da alquimia não acreditava na
transmutação dos metais vulgares em ouro.
O uso principal da alquimia, no entender de Paracelso, era na preparação de
remédios o que o levou a utilizar metais e obter uma variedade enorme de sais
solúveis que ele chamava de "óleo".
Procurou fazer uma sistematização das reações químicas utilizadas e seu uso
médicinal no tratamento de doenças, estabelecendo, desta forma, a Iatroquímica.
Uma contribuição de Paracelso, na parte conceitual, foi considerar que os metais
possuiam três componentes.
Haveria não só enxôfre e mercúrio, mas também sal, constituindo a chamada tria
prima ou essência abstrata deles.
Considerava, também, que a alquimia abrangia uma área de operação mais ampla do
que aquela praticada até então, pela inclusão de qualquer tipo de transformação
que fosse observada.
Suas idéias, embora combatidas intensamente, principalmente pela classe médica,
no transcorrer do tempo, foram adotadas pelos alquimistas, médicos e
farmaceuticos.
Um monge beneditino, Basil Valentino, também se destacou, após Paracelso,
utilizando-se de suas idéias e tornando a descrição dos processos experimentais
alquímicos mais detalhadas e fiéis.
Seu trabalho principal, a Carruagem Triunfal do Antimônio, foi publicado pelo
editor Thölde no começo do século seguinte (1604).
Em 1584 Giambattista de la Porta (1537-1615) publica o seu Magiae naturalis, um
tratado com 20 volumes que faz uma coletânea da ciência até sua época.
Na parte alquimica descreve a transmutação dos metais e a transformação de
substâncias de um ponto de vista mais amplo, não místico.
Na de tecnologia quimica, que é extensa, ensina como colorir vidro com compostos
metálicos, produzir gemas artificiais, fazer extração de produtos naturais de
plantas e a preparação de remédios, além de outros processos.
De la Porta, além da clareza da exposição, mostra uma preocupação com as
proporções quantitativas dos reagentes e com a metodologia de preparação como
prerequisitos para a obtenção de bons resultados.
O tratado de la Porta,traduzido do latim para as linguas européias, era muito
popular e permaneceu circulando por mais de 100 anos.
No final deste século, 1597, Livabius (Andreas Libau) publica o livro Alchemia,
com o estudo abrangente e sistematizado do conhecimento e equipamentos usados
até então na alquimia, na iatroquímica, na metalurgia e outros campos afins.
A indicação e a descrição dos utensílios de laboratório e seu uso fizeram seu
livro ser adotado como texto padrão de química durante muitos anos.
Na parte conceitual considerava que a alquimia era tão abrangente como supuzera
Paracelso, e a dividia em dois ramos, um a Chymia, que estuda a combinação das
substâncias e o outro a Encheria, cujo objeto era a metodologia usada.
O século XVI foi rico na difusão da prática alquímica por outros ramos do
conhecimento como a medicina, a metalurgia e a mineração.
O aparecimento da Iatroquímica e a influência de Paracelso criaram condições
para a consolidação da química na medicina o que suscitou, nos séculos
seguintes, o aparecimento de uma nova atividade independente, a farmácia.
A prática da destilação e o lugar de destaque que atingiu nas operações
alquímicas - que visavam extrair a "essencia" por separação de misturas de
corpos, como se fazia na iatroquímica -foi um prenúncio de idéias que
frutificariam séculos mais tarde quando a alquimia deu lugar à moderna química.
Outro aspecto importante foi a natureza dos laboratórios e os equipamentos que
eram usados nas operações básicas.
Essencialmente muitos destes equipamentos ainda fazem parte do laboratório de
química moderno.

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